As Imagens Devoram os Corpos (2016)

Nunca se produziu e distribuiu tantas imagens quanto hoje. Com a disseminação dos celulares, câmeras e da internet, cada vez mais pessoas convertem-se em fonte de imagens, vertendo ao espaço digital. E o acúmulo dessas imagens evidencia como essas pessoas pensam, e como a fotografia posiciona-se no intermédio entre elas e a realidade.

Todas as obras de “As Imagens Devoram os Corpos” foram desenvolvidas a partir de um mesmo procedimento: são a sobreposição digital de 100 fotografias diferentes, encontradas na rede social Instagram e apropriadas pelo artista.

As fotos que compõem cada obra específica estavam catalogadas na rede sob uma mesma hashtag. A obra “#academia”, por exemplo, é composta por 100 fotografias distintas, associadas pelos internautas a essa mesma palavra (academia).

O fato de muitas fotos redundarem nas mesmas poses e conceitos é abordado por diversos autores. Flusser afirma que somos funcionários da câmera, clicando apenas o que o aparelho determina “fotografável”; Sontag, que fotografamos para substituir experiências, pois as imagens tornaram-se nossa base para a realidade; Barthes, que vivemos segundo um imaginário coletivo, imagens previamente concebidas pelas quais precisamos passar para experimentar o real.

Finalmente, Baitello: somos tão saturados pelas imagens que elas esgotam nossa capacidade criativa, e acabamos apenas as reproduzindo. Somos por elas devorados.

A intenção do projeto é utilizar-se da prolífica produção e distribuição fotográfica existente na internet, a fim de evidenciar padrões estéticos assimilados pela fotografia vernacular. Em cada obra, a sobreposição denuncia as semelhanças entre as diversas fotos. A imagem final não representa um único indivíduo, mas o conceito comum, construído coletivamente. Desse modo, o trabalho busca diluir a fronteira entre individual e coletivo, a fim de gerar questionamentos sobre nossa produção de imagens e nossa percepção da realidade.